sexta-feira, 17 de abril de 2015

5º capitulo - A Gripe

A Gripe

  — Rafa.. — Falei com voz de quem quer chorar.
  — O que foi?
  — Amanhã a gente — Espirrei — conversa. A professora chegou. — Desliguei e fiquei ali no escuro dai as meninas chegaram me procurando junto com o Fer.
  — Ai amiga. Eu sinto muito. — A Bianca falou me abraçando. — Ele é um idiota. — elas falaram juntas e o Rafa esta me ligando no facetime.
  — Fala com ele, e não digam o que aconteceu. Fala que eu to gripada só isso. — Eles conversaram e eu fiquei quieta ali atras pra ninguém notar. Passei todas as aulas fugindo do Caio. As meninas eram tipo cão de guarda. No fim das aulas eu sai correndo de lá e cheguei em casa acho que em cinco minutos. Entrei e fui direto pro meu quarto. Ai eu chorei enquanto espirrava. Meu nariz escorria e eu sentia dor no corpo. Chamei minha mãe depois de parar de chorar. — Mãe vê se eu estou com febre.   — Ela colocou a mão na minha testa e no meu pescoço. Estou com febre. Ela me deu uns antibióticos e acho que estarei bem até amanhã.
  De manhã acordei péssima. Dor no corpo e até dor de cabeça. Mas mesmo assim fui me arrumar. Meu tio me levou até o terminal e eu peguei o ônibus pro shopping. Cheguei lá e entrei. Era a primeira a chegar depois da Bia. Coloquei minhas coisas no armário e peguei minha caixinha de lenços. Fui pro balcão e fiquei debruçada um tempo. Dai fui pra esteira e comecei devagar quase andando. Parei a esteira e fiquei olhando pra frente esperando o espirro vir. Ele veio e eu tive que sentar, não aguentava mais ficar em pé. Ouvi a porta da academia abrir e a voz do Carlos e do Rafa. Fiquei imóvel quase dormindo de novo.
  — Qual é Tori. Meu pai te deu uma folga pra você descansar. — Rafa brincou e eu levantei minha cabeça. Ele me viu com olheiras, olhos vermelhos nariz vermelho. — Tudo bem?
  — Não. Eu to gribada.
  — Pensei que estava só me dando um fora ontem.
  — Também. — Falei estendendo a mão pra ele me ajudar. Levantei e abracei ele. Ai eu comecei a chorar.
  — O que foi? Sei que esta com saudades mas não é pra tanto. — Ele viu que eu não ri então me apertou e me levou pro vestiário. Eu me sentei e ele do meu lado. — O que aconteceu?
  — Ontem eu e o Caio nos beijamos. — Falei e ele assentiu meio sem palavras.
  — Só isso?
  — Era uma aposta. — Eu falei e ele ficou de boca aberta pensando que eu estava brincando.
  — Me fala que não é sério Tori.
  — É sério. — Falei e ele me abraçou.
                                                             ❆ Rafael 
  Eu senti tanta raiva dentro de mim aquela hora que não consegui deixar ela chorando ali sem fazer alguma coisa pra animar ela.
  — Agora me diz. Eu beijo bem melhor né? — Falei enquanto abraçava ela de lado bem forte.
  — Idiota.
  — Vou considerar isso como um sim.
  — O que esta acontecendo? — Meu pai entrou no vestiário e viu ela chorando me abraçando.
  — Pai, eu sei que você deu folga pra ela ontem mas ela ta gripada. E deprimida. — Eu falei
  — Vamos, eu te levo pra sua casa e no caminho compro um antibiótico.
  — Vamos. — Falei levantando com ela.
  — Tori vai pro carro ta, a gente se encontra lá. — Ele disse e ela foi.
  — O que foi pai? Deixa eu ir. — falei
  — Não. Dá um tempinho sozinha pra ela Rafa. De tarde eu te levo lá. — Ele disse e eu concordei. Fui pros fundos e de novo soquei o saco de areia até a alma dele sangrar.
                                                       ❆ Tori 
O Carlos me levou embora depois de comprar remédio, ai ele me ajudou a ir pro quarto e me deu remédio.
  — Você fica sozinha em casa o dia todo?
  — Fico sozinha o tempo inteiro. Menos de noite. — Falei de olho fechado.
  — Quer que eu fique aqui até você dormir?
  — Porque se importa tanto comigo?
  — Enxergo em você a filha que eu nunca tive. — Ele disse e eu comecei a dormir.
  Depois de um tempo eu acordei com alguém sentando do meu lado na cama.
  — O que você esta fazendo aqui Caio? — Falei me sentando rápido.
  — A gente precisa conversar.
  — Não temos nada pra conversar. A gente não é pra dar certo mesmo. Não temos nada ver.
  — Temos sim. Aquela aposta de ontem foi coisa dos meninos. Eu não queria. — Ele falou
  — Mas aceitou!
  — Aceitei! Mas foram só dois reais de cada. Não foi nada de mais.
  — Então meu beijo vale só dez reais? — Perguntei querendo chorar de novo.
  — Melhor dez do que dois. — Ele falou e eu levantei e abri a porta do meu quarto.
  — Sai! — Mandei e ele parado.
  — Caio... — Olhei pra trás e vi a imagem do Rafa.
  — Rafa, tudo bem. — Falei. Pela primeira vez vi o Rafa arrumado. Com roupa de menino sem ser roupa de academia. Ele passou por mim pegando o Caio pela camiseta. Ele sentiu que eu tava nervosa então arrastou ele ate o lado de fora do quarto. Ai veio ate mim 
— Fica no quarto. Eu já volto. — Ele me olhou nos olhos e eu tive que concordar. Me sentei na cama chorando e com raiva de tudo. Mas tive que sair pra ver oque estava acontecendo.
  O Rafa estava segurando o Caio contra a parede. 
— Olha aqui cara, eu daria mil reais ate mais pra estar com ela e você ainda acha que ela vale dez reais? — Foi uma pergunta retorica — Eu juro que não quero te machucar. Mas tudo dentro de mim me faz querer te bater por fazer ela chorar. Agora corre o mais rápido que você puder. — O Rafa soltou ele e o Caio saiu correndo. Eu cheguei perto do Rafa me escorando na parede. Ai eu cai no Rafa. Desmaiei. sei lá.
                                                  ❁ umas horas depois
Acordei com o Rafa do meu lado. Ele saiu da cama e sentou na poltrona ao lado.
  — Que horas são? — Perguntei.
  — Já esta escuro. — Ele falou me olhando. — Sete horas. Pra ser mais específico. — Ele falou e eu concordei com a cabeça.
  — Você perdeu a escola.
  — Não perdi não, ela ta lá paradinha no lugar dela. Eu só não fui ate lá. — Eu dei risada.
  — Idiota.
  — Se eu ganhasse um real a cada vez que você me chama de idiota eu tava rico.  
  — Se eu ganhasse mil reais a cada Rafael que queira me beijar eu teria... — Pensei.
  — Muito. — Ele disse e respirou fundo.— Acho que você não viu. Mas eu te trouxe flores, chocolate, um ursinho e minha pessoa linda. — Ele disse e eu me virei pra ver. Peguei os chocolates.
  — Ai meu deus. — Falei quando abri. Faz tempo que eu não como isso. 
  — Não era pra você ter visto minha discussão com o carinha. 
  — Era sim.
  — Eu fiquei quanto tempo desmaiada?
  — Minutos, dai você acordou e dormiu por duas horas e meia mais ou menos.
  — Acho que eu passei o dia dormindo. — Falei e comi um chocolate — Eu vou ter espinhas mas não to nem ai.
  — Chega, toma remédio e vai tomar um banho. — Ele pegou meu chocolate e me deu os remédios. Fui pro banheiro com meu pijama e tomei meu banho.me sinto melhor agora. Eu coloquei o pijama e antes ele não parecia tao curto. Voltei pro quarto e ele estava falando no celular.
  — Ah pai ela tá... — Aí ele me viu e parou.
  — Fala rafa.
  — Bem bem, ela ta ótima. — Ele falou com enfase no ótima olhando pra mim. — Pai bom trabalho porque olha.
  — Deixa de ser besta. — Falei dando uns tapas nele.
  — Tenho que desligar ta pai tchau. — Ele desligou e voltou a sentar.

4º capitulo - O Beijo

O Beijo


  Ele estava falando comigo mas era como se meus ouvidos estivessem fechados pra tudo aquilo que ele esta dizendo e meu cérebro fica repetindo o que o Rafa disse. Ele gosta da pessoa gostosa que você se transformou. Dai ele colocou a mão na minha frente e eu acordei pra vida.
  — Em que mundo você esta?
  — Desculpa, não tô bem hoje. — Falei e ele assentiu e se levantou.
  — Vou te deixar sozinha um tempo pode ser?
  — Obrigada. — Falei e meu celular vibrou. Rafa facetime. As meninas sentaram do meu lado. — Atendam pra mim. Fala que eu fui no banheiro. — Deixei o celular na mão delas e fui no banheiro. Entrei e ajeitei meu cabelo. Sai e fui beber água.
                                                                     *Rafael*
No intervalo chamei a Tori no facetime. Ela atendeu mas não era ela. São as amigas.
  — Cadê ela? — Perguntei
  — Ela não quer papo contigo. — Uma delas disse.
  — Nomes? — Perguntei e elas falaram. — O.k. Bianca onde ela esta? — Ela virou a câmera e vi ela bebendo água. Ai um cara chegou perto dela e os dois ficaram bom, próximos de mais. — Esse é o Caio? — perguntei e elas falaram que sim. — Credo o cara paga de swag eca. — Falei e elas voltaram a câmera pra elas.
  — Deixa a Tori te ouvir.
  — Eu não tenho medo de falar isso perto dela. Vocês sabem porque ela não quer falar comigo?
  — Ela não disse.
  — Nada?
  — Nada.
  — Perguntem e insistam. De preferencia perto do playboy. Vamos ver como ela reage. — Eu falei e elas assentiram. — Espera, ele sabe quem eu sou?
  — Eu acho que não. Nem a gente sabe direito.
  — Hum. Bom, eu só liguei pra avisar que o chefão deu o dia de folga pra ela amanhã.
  — Só isso?
  — E que a gente precisa conversar sobre o que aconteceu hoje no vestiário. — Não vou mentir. Quero provocar o cara então vou fazer as meninas pressionarem a Tori em relação ao que aconteceu hoje no vestiário. Ela não sabe lidar com pressão. Antes que elas perguntassem desliguei.
                                                                 *Tori*
As meninas desligaram e chamaram nós dois lá. O que o Rafael disse meu deus. A gente foi.
  — O que aconteceu hoje no vestiário Tori. — Bianca perguntou e eu fiquei quieta.
  — Caio, deixa a gente sozinha um pouquinho? — Pedi e ele concordou depois me deu um beijo na bochecha.
 — Ele queria que eu falasse perto do Caio né. — Falei
 — O que rolou?
 — Ele não disse?
 — Quero ouvir da sua boca. — Bianca falou.
 — A gente se beijou pronto. Mas vocês não podem contar pra ninguém principalmente pro Caio meninas vocês tem que prometer! — falei meio desesperada. Elas prometeram. — O que mais ele disse?
  — Ele disse que o chefão deu o dia de amanhã de folga pra você. — Eu dei risada porque tipo folga? Sonho.
  Voltamos pra sala e quando finalmente tudo aquilo acabou eu sai e o Caio chegou me assustando.
  — Vou te levar embora. — Ele disse e colocou o braço em cima do meu ombro. Fomos até minha  casa em silêncio. Ele me deixou na porta de casa e ficou me olhando. — Vai trabalhar amanhã né?
  — Não. A gente podia correr amanhã.
  — Claro. Que horas?
  — Umas quatro horas. — Ele concordou.
  — Passo aqui te pegar. — Eu dei risada por dentro. Ele deu um beijo na minha bochecha e foi embora. Liguei pro Rafael.
  — Você esta bêbado? — Perguntei.
  — Nunca estive tão sóbrio.
  — Então o que deu em você pra fazer as meninas me perguntarem sobre oque rolou hoje no vestiário na frente do Caio? — ele deu risada.
  — E você disse?
  — Não. Seu plano falhou. Pedi pra ele sair de lá antes de falar.
  — Falando nele. Meu deus, que cara ridículo o que é aquela calça na coxa? — Ele falou e eu revirei os olhos.
  — Eu nunca te vi com roupa normal então quando eu te ver com roupa de gente vou ver se você tem moral pra falar dele. Até quarta. — Desliguei e fui me trocar.
                                                               *no outro dia*
Acordei quase onze horas e fui fazer lição, almoço pra mim e fiquei de bobeira até quatro horas. Já estava com calça de "ginastica" e regata. A campainha tocou e eu desci. o Caio esta com bermuda e regata. Até assim ele consegue ficar bonito.
  —Vamos? —  Ele perguntou e eu concordei. A gente correu cerca de uma hora e meia. Eu estava suada mas ainda correria mais meia hora sem problemas. O Caio esta morto e enterrado. Eu dei risada da cara dele respirando parecendo um pimentão vermelho. — Como você pode notar não estou acostumado a correr tanto assim. — Ele disse afobado.
  — Eu corro isso quase todos os dias na esteira. — Falei e ele ficou em pé.
  — Uau.
  — Vamos embora. — Falei e fomos devagar, andando e bebendo muita água. Ele estava contando sobre a vó dele e a mãe dele. Ele consegue fazer de tudo piada.
  — Hoje eu passo na sua casa pra gente ir pra escola juntos pode ser? — Ele perguntou
  — Claro. É melhor eu correr, se eu demorar mais dez minutos não consigo ficar pronta a tempo. Fui dar um beijo na bochecha dele mas quase foi na boca. Corri até minha casa e dei risada. Entrei no banho já eram seis horas. Tive que me arrumar rápido hoje. às seis e quarenta e cinco a campainha tocou. Eu desci e é o Caio. Fomos em direção a escola e começou a chover. Forte.
 — Vamos correr ? — Ele falou e eu dei risada mais concordei. Ele pegou minha mão forte e fomos correndo até a escola. Ai tinha um ponto de ônibus. Paramos ali pra respirar. eu estava super molhada. Ele me olhou e fez sinal positivo com a cabeça. — Só mais um pouco vamos. — Corremos até a portaria. a gente entrou dando risada e todo mundo olhou pra gente.
  — Conseguimos.
  — Conseguimos chegar aqui mas se o objetivo era chegar seco não deu certo. — Ele falou e a gente deu risada. Subimos pro pátio e as inspetoras vieram avisar que a primeira aula foi suspensa porque quase nenhum professor chegou por causa da chuva. Eu entrei no banheiro e prendi meu cabelo porque ele estava molhado e bagunçado. Sai dali e eu senti que estava gelada e morrendo de frio. O Caio esta parecendo um pintinho.
  — Ai que frio. — Falei e ele me abraçou
  — Minha blusa pra você. — Ele tirou a blusa da bolsa e me deu.
  — Não precisava.
  — Você esta tremendo e gelada. Precisa sim. — Coloquei a blusa dele e senti do cheiro dele invadir tudo. Era sufocante mas bom. Ai ele me abraçou de novo. Mas a mão dele foi descendo e eu parei.
  — Não sou uma santa mas não né Caio. — Eu falei e ele riu.
  — Eu também não sou santo Tori. — Ele falou colocando a mão no meu rosto e me beijou. Ai ele colocou as mãos na minha cintura me deixando muito colada nele. Ai a inspetora veio e deu uma tossida proposital e ele me largou.
  — Senhor Caio pra lá. — Ela apontou pro outro lado do patio e ele foi. Eu entrei no banheiro e pirei um pouco mas a imagem do Rafa veio na minha cabeça junto com a vontade de espirrar. Então sai do banheiro e vi ele com uns amigos. Mas ele estava recebendo dinheiro. De todos os amigos. O Fernando estava ali então fez sinal negativo com a cabeça e falou algo parecido com vocês são idiotas e saiu de perto deles. Eu corri até ele e ele respirou fundo.
  — O que era aquele dinheiro Fer? — Perguntei
  — Nada.
  — Fernando. Fala. — Mandei e ele suspirou.
  — Eles apostaram.
  — Em que?
  — Que o Caio ia te beijar antes do intervalo. Cada um deu dois reais pra ele. — O QUE? Por dentro eu estou fodida, querendo bater em todo mundo mas por fora estou deprimida. Arrasada. Ou ao contrário. Mas não vou chorar. Respirei fundo e fui até lá. Tirei a blusa de frio e joguei no chão nos pés dele.
  — Ai desculpa se sujar. Caso fique suja manda lavar com esse dinheiro ai. Depois manda ilustrar essa sua cara de pau. — Falei e ele ia começar a falar. Mas eu sai dali e entrei na sala. Fiquei la com a porta fechada e o Rafa me ligou.
  — É. Oi Tori. A gente não conversou o dia todo. — Ele falou e eu quieta. Se eu dissesse uma palavra eu ia chorar.

3° capítulo - Uma Semana

Uma semana


  Depois de uma semana dormindo as meia noite e meia pra fazer as tarefas e ficar por dentro da meteria e acordando as seis pra ir pra academia eu estou acabada. Com todas as letras e fonemas.
  É segunda feira e eu estou fazendo musculação, tentando.
                                                                  ❆ Rafael. 
Cheguei segunda feira na academia umas nove horas e vi a Tori na área da musculação mas parece que ela está fazendo uma pausa.
— Vai lá da uma ajuda porque ela parece bem parada — Meu pai falou e eu fui até ela. Cheguei rindo mas ela não notou.
  — Ta bem paradinha. — Eu falei e ela não disse nada, ela ta de cabeça abaixada. Eu toquei no ombro dela e ela "caiu" em cima de mim. — Tori? — Ela ta apagada. Peguei ela no colo e levei ela ate o vestiário. Coloquei ela deitada no banco ali do lado. Ela não acordou. Então eu sentei de pernas abertas na barriga dela só pra irritar.
  — Rafa eu estou quebrada. — Ela disse de olhos fechados com as mãos na minha perna.
  — É mas meu pai não vai gostar de te ver dormindo em expediente. — Eu falei levantando ela pelos braços. Ela esta mole.
  — Só mais quinze minutos. — Ela pediu e abriu as pernas. Sentei na frente dela e a caiu no meu peito.
  — Por que ta tao cansada?
  — Eu durmo todo dia meia noite e meia ou uma da madrugada e acordo seis horas. Não tenho um tempinho pra nada — Ela disse meio "fraca".
  — Olha pra mim — Falei passando o dedo na bochecha dela. Ela me olhou com aqueles olhos verdes cansados. Ela ia dormir de novo e eu fiquei olhando pra ela. — Abre os olhos Tori.
  — Rafa eu to... — Eu beijei ela. No começo foi meio confuso. Mas depois a gente entrou em sincronia. Eu soltei ela e ficamos respirando afobadamente na frente um do outro. Eu não larguei o rosto dela. Ai ela tirou minhas mãos dali. Ela levantou e foi ate a pia. — Rafa eu, a gente não... — Ela não sabia o que falar. Eu larguei minha mochila e fui pra perto dela. Fiquei atrás dela enquanto ela respirava.
  — Vai dizer que não foi bom.
  — Não posso reclamar foi o primeiro.
  — Você é BV ? — Perguntei e ela virou pra mim.
  — Não sou mais. — Ela disse e eu cheguei mais perto. — Rafael, a gente é amigo, muito amigo. Passamos quase dois meses juntos todos os dias. Você implicou comigo todos esses dias. Porque me beijou hoje?
  — Atração sei lá Tori. Eu sou homem você é uma garota linda e eu senti vontade de te beijar.
  — Não quero estragar a amizade que a gente tem.
  — Não vai. — Eu falei e comecei a beijar ela de novo. Eu estava amando tudo aquilo. Mas ela parou e colocou a mão no meu peito.
  — É melhor a gente esquecer disso pode ser? — Ela disse me afastando.
  — Porque? Você quer ficar numa boa com o playboy loirinho?
  — Eu GOSTO do Caio, Rafa. Eu gosto dele a muito tempo!
  — Então você não gosta de mim é isso?
  — Eu gosto de você rafa. Mas eu gosto de você de um jeito diferente de como eu gosto dele. Entende?
  — Entendo. Só tem umas coisinhas básicas Tori, eu gosto da pessoa que você é. Ele gosta da pessoa gostosa que você se transformou.  Eu notei você há dois meses ele não sabia que você existia há uma semana. São essas as diferenças. — Falei e sai de lá batendo a porta. Fui pra esteira e comecei a correr que nem um condenado. Na verdade queria sair dali correndo mas não dá. Eu Vi ela saindo dali com a bolsa dela e ir falar com o meu pai. Ouvi metade da conversa.
  — Eu e o Rafa nos desentendemos vou dar um tempo pra ele pensar no que disse. — Ela disse e eu parei a esteira e fiquei ali parado. — E eu estou morta. Não vou ser útil aqui Carlos desculpa.
  — Eu te levo embora. Faço questão. — Os dois saíram e eu peguei minhas luvas e fui pro fundo da academia onde tem um saco de areia. Estava com raiva desse cara, dela, de mim e de todo mundo. Inclusive meu pai que esta do lado dela. Tudo bem que eu to errado mas eu sou filho dele.
                                                                     ❆ Tori 
Cheguei em casa e deitei. Fiquei vinte minutos pensando no que ele disse. Eu não quero acreditar que tudo aquilo é a verdade. Não quero e não consigo. Eu gosto de mais do Caio pra deixar isso influenciar minha cabeça. Mas o Rafael mexe muito comigo pra deixar aquele beijo e o que ele disse passar em branco. Minha cabeça esta processando a mil por hora então desliguei tudo e dormi. Acordei as quatro horas disposta então peguei meu celular. Dez chamadas perdidas do Rafa. Ignorei aquilo e fiquei no insta de bobeira ai ele ligou de novo. Eu respirei fundo porque por incrível que pareça meu coração bateu mais forte que o normal.
  — Ate que enfim.
  — Estava dormindo.
  — Desde as dez da manhã? Uau.
  — É. O que foi? Consciência pesada?
  — Por ter te beijado? Não. Vou dormir feito um anjo hoje.
  — Idiota.
  — Sei que gostou.
  — Já disse que não tenho outras experiências então qualquer coisa é bom no começo.
  — Ai.
  — Só isso? Tenho mais o que fazer.
  — Tipo? Ficar no insta esperando dar o o horário de tomar banho? — Odeio o fato de ele me conhecer tao bem.— Queria pedir desculpa pelo o que eu disse. Foi coisa do momento. Ficou tudo misturado naquela hora e saiu coisa que não devia ter saído.
  — Mas você acha mesmo aquilo? — Perguntei e ele respirou.
  — Acho. Me desculpa mas quando se trata de você não consigo não ser sincero. Mas como você gosta dele espero que isso não seja verdade se não alguém vai sair machucado. E eu aposto que não vai ser eu.
  — Se alguém sair machucado. Alguém sai da academia e alguém fica sem amiga. — Falei e desliguei. fui na cozinha e preparei um lanche. Depois fui começar a me arrumar. Cheguei na escola atrasada ainda mesmo me arrumando cedo.  Ao chegar o Caio veio pra perto de mim e me deu um abraço. Nos não saímos sábado nem domingo mas ficamos conversando no facetime por um tempo. Um bom tempo. A gente trocou umas palavras mas eu entrei na sala. Tivemos as duas primeiras aulas e fomos pro intervalo. O Caio parece carrapato. Ele grudou e não quer mais sair. Eu ein. Não que eu não goste mas preciso pensar sobre tudo.

2° capitulo - A Conversa

A Conversa


  Eu fiquei paralisada ali tentando digerir o beijo que ele me deu. Foi na bochecha mas eu nunca imaginei isso da parte dele. As meninas voltaram e a Bi ficou me olhando.
  — Que foi? Viu o passarinho verde?
  — Acho que ela viu os olhos verdes — Clara falou e eu dei risada.
  — Ele veio falar comigo. Depois me deu um beijo na bochecha. — Elas ficaram me olhando tentando saber se era verdade ou se eu estava brincando. — É serio gente. — Eu disse dando risada e entrando na sala. A professora chegou e os alunos entraram na sala. Eles ficaram me olhando como se eu fosse uma aluna nova. Ai a professora sentou e pegou a lista de chamada.
  — Temos uma aluna nova? — Ela perguntou e eu disse que não com a cabeça — Então esta certo. — Ela falou desconfiada. — Vamos começar a chamada. — Eu sempre fui a ultima da chamada. Então ela não disse meu nome.
  — Professora, você esqueceu de me chamar
  — Como é seu nome?
  — Tori. Tori Santinelli Backer. — Falei e ela assentiu.
  — Você esta diferente. — Ela falou me olhando.
  — Tive que mudar. — Falei olhando pras minhas mãos.
  — Mas porque você passou tanto tempo fora? Viajou ? — Um aluno brincou e eu dei risada pra entrar no clima.
  — Se a professora permitir eu conto. — Falei já que todo mundo está interessado no assunto.
  — Claro, ate eu estou interessada.
  — Bom, lembram do primeiro provão que teve em março? Foi numa sexta, no dia seguinte eu levantei e sai com minha vó. A gente ia visitar uma prima. Mas no caminho eu escorreguei e cai. Acabei quebrando dois lados do meu tornozelo. — Falei e respirei — Fiquei quase uma semana no hospital e depois da cirurgia fiquei quase um mês com gesso, depois meio mês com o pé pra cima sem o gesso e logo depois a fisioterapia. Quando eu tive a alta pra vir a escola já ia começar as férias. Então eu já ia completar um mês de academia. Eu ficava quase metade do dia naquela bicicleta sabe? Então comecei a ir firme na academia, emagreci muito e dai veio a minha "mudança". Eu só mudei por causa do meu pé. — Falei e eles assentiram.
  — Bom você ta mais gata. — O Fernando, um ótimo amigo, foi percebido na porta. Eu levantei e abracei ele. — Estava com saudades ridícula.
  — Eu também elfo anão. — Falei e me separei dele. Sentei de volta e a professora começou a aula. Estava com saudades disso.
  Eram duas aulas dela e então intervalo. Saímos da sala e elas foram na fila da merenda. O Carlos me deu uma dieta bem rígida então nada de comida escolar. Me sentei no lugar de sempre e fiquei mexendo no celular. Ai uma pessoa se sentou do lado. Alguma das meninas imagino. Tirei os olhos do celular e olhei pro lado.
  — Caio (?) — Ele sorriu.
  — Eu disse, a gente se fala no intervalo. — Eu concordei com a cabeça.
  — Minhas amigas vão chegar e vao te obrigar a sair. Sabe disso né?
  — Bom elas vão se sentar ali do lado. Eu já falei com elas. — Ah claro.
  — E porque você quer ficar sozinho comigo Caio? Sobre o que quer conversar?
  — Sobre você.
  — Sou Tori Santinelli Backer. Tenho quinze anos, cheia de cicatrizes por dentro e por fora. Trabalho no shopping. Faz quatro meses que eu não venho a escola...
  — Porque! É isso que eu quero saber.
  — Eu cai, quebrei o meu tornozelo, — Mostrei as cicatrizes dos dois lados. — fiz fisio, fiquei de cama e só tive alta de tudo nas férias. Se era isso que queria saber sinta-se informado. — Falei e ele concordou com a cabeça.
  — Sinto muito pelo tornozelo. — Ele falou e ficamos nos encarando por um momento. Meu celular vibrou e era o Rafael me chamando no facetime.
  — A gente já conversa tenho que falar com uma pessoa. — Falei levantando. Chamei as meninas e elas vieram comigo ate o banheiro. Eu atendi. — Quê. — Falei assim que vi a imagem dele.
  — Olha aqui eu só te liguei porque quem são elas? — Ele perguntou quando as meninas apareceram.
  — Minhas amigas. Não seja você. — Falei e ele fez careta.
  — Espero que tenham tratado ela bem. — Ele falou e elas quietas. — Tori não veio nenhum dos meus amigos to sozinho no intervalo preciso falar com alguém.
  — Fala com a parede Rafael eu tenho que ir pra sala. Beijo — Desliguei e elas me olhando como se eu fosse uma aberração.
  — Como você rejeita esse Deus grego? — Bianca sendo Bianca.
  — Ele é insuportável. — Falei saindo de ré do banheiro. Me virei e dei de cara com o Caio.
  — Você tem que parar de aparecer do nada. — Falei baixinho perto dele. A gente ficou se encarando por um tempo. Ele olhou pra minha boca e eu me distanciei. — Tenho que ir. — Falei calma e natural. — A gente se fala. — Fomos pra sala de português. Ficamos ali fora e elas piraram por mim.
  — A academia tirou seu cérebro.
  — Meninas, não é a hora. se ele me beijar, vai pensar que eu sou fácil. E eu sou difícil como diz a Brenda — Falei e elas riram. Meu celular vibrou de novo. Era ligação normal. — Fala Rafael.
  — Como foi?
  — A aula ainda não acabou.
  — Como foi ate agora?
  — Não me reconheceram. Ninguém.
  — Você podia recomeçar sua vida que ninguém ia notar né?
  — Basicamente.
  — Como você se sente? 
  — Os meus colegas não me reconheceram eu aceito afinal a gente não era próximo. Mas minhas melhores amigas não me reconhecerem me deixa magoada porque mesmo que elas mudassem de cabelo engordassem ou sei lá eu iria reconhecer elas. Parece que elas se esqueceram de como eu era por isso não me reconheceram. — Falei quando estava distante das meninas.
  — Você mudou muito Tori. Eu lembro de você no começo, eu vi você mudar. Você era um brotinho. E Carlos conseguiu te transformar em uma rosa. Linda. — Quando o idiota quer ser sincero e conselheiro ele consegue. 
  — O que isso quer dizer?
  — Esquece isso. Recomeça. Você é outra pessoa, sua vida mudou você mudou tudo a sua volta mudou. Esquece do passado, olha pra frente e aproveita o que você tem. — Eu dei um sorriso. — Eu te vejo amanhã e você me agradece pelas palavras lindas — Eu dei risada.
  — Voltou a ser o Rafael idiota. — Falei e ele riu. Ficamos um tempo quietos.
  — Sou idiota mas sou a única pessoa que consegue te dar dicas incríveis e te aturar todos os dias então fica quietinha.
  — Demorou quase quarenta segundos pra bolar essa frase?
  — Não quero que a conversa acabe.
  — Tem que acabar a minha professora chegou beijo. — Desliguei e subi correndo pra sala. Me sentei e a professora me olhou e também pensou que eu era nova.
  Depois que as aulas acabaram me despedi das meninas e o Caio veio ate mim.  
  — A gente pode se encontrar amanha né? — Eu pensei
  — Não. Eu tenho trabalho. Quem sabe no fim de semana. — Falei e ele ficou me olhando de novo.
  — A gente combina. — Ele disse e eu concordei. — Até amanha Tori. — Ele falou e me deu um beijo mais demorado na bochecha.
  — Ate amanha apressadinho. — Falei e ele riu. Fui embora com meus fones ouvindo musica.

1° capítulo - Depois das férias


  

Depois das férias

Era agosto, o clima estava gelado e eu estava nervosa. Era meu "primeiro" dia de aula depois de quatro meses dentro de casa. Estava no meu trabalho no shopping e estava dando o horário de me arrumar. Mas esqueci de um detalhe: parte do meu uniforme. A calça. Subi para o segundo piso do shopping e entrei na Marisa. Comprei uma calça jeans com o meu salário que tinha acabado de receber. Voltei pra academia e entrei no vestiário correndo.
  — Esta atrasada né? — Rafael perguntou enquanto eu entrava no vestiário e trancava a porta.
  — Vai se ferrar Rafael. — Falei lá de dentro e ouvi ele rir. Me despi e coloquei a calça, minha camisa de uniforme que esta larga perto de quatro meses atrás. Coloquei meu tênis e passei meu amado rímel. Destranquei a porta e o Rafael entrou.
  — Escolinha moderna, virou passarela de moda. — Ele falou lavando as mãos e o rosto.
  — Um: você esta bonita, Tori. já bastava. — Falei passando o batom. Ele ficou olhando e eu senti minha bochecha ficar vermelha.
  — Não quero te deixar convencida. — Ele falou passou por trás de mim indo pros chuveiros que são ali do lado.
  — Não é de minha linda natureza. — Ele riu e tirou a camiseta. Ia começar a tirar o short. — Rafa! Eu to aqui. — Falei guardando as coisas na mochila.
  — Então tem pouco tempo pra não me ver sem roupa. — Ele disse e eu ergui a sobrancelha. — Três, dois... — Ele não estava blefando. Sai dali e o Carlos,meu patrão e personal estava ali me esperando.
  — Vocês dois parecem cão e gato. — Ele disse com umas notas de dinheiro na mão.
  — No caso eu sou a gata e ele o cachorro. — Falei.
  — Eu ouvi! — Ele gritou e eu dei risada.
  — Olha, eu sei que você esta nervosa, foram quatro meses.
  — Tenho medo de ter perdido todas as minhas amizades, Carlos. De não conseguir dar conta das matérias e de todo o resto. — Falei e ele me abraçou. O Carlos virou, nesses dois meses, um tio barra melhor amigo.
  — Você é linda, legal, simpática, inteligente e esforçada. Vai conseguir. Eu vou te dar mais essa grana, porque eu sou seu amigo e quero te ajudar. — Ele me deu aquelas notas em suas mãos.
  — Não precisava.
  — Precisava. Ta frio lá fora. Coloca jaqueta. E boa sorte. — Ele falou e eu ia pegar minha jaqueta, mas ela está no meu armário no vestiário. Eu fui ate a porta e bati.
  — Rafa? Posso entrar?
  — Pode!
  — Você esta vestido?
  — Estou de toalha Tori entra. — Eu entrei e ele estava de toalha na parte de baixo. Não entendo porque eu olho pra ele desse jeito. — Que foi?
  — Vim pegar minha jaqueta. — Falei e fui ate o armário.
  — Eu sei que eu brinco com você e tal mas eu te conheço. Sei que você esta nervosa. Vai dar tudo certo. Você é incrível. — Ele falou e eu coloquei a jaqueta.
  — Obrigada, eu vou indo. Te mando mensagem quando chegar lá antes que comece a falar.
  — Venha aqui marrenta. — Ele me abraçou e ele tava molhado. Minha cabeça da no peito dele. — Boa sorte. Se suas amigas te tratarem mal vou lá dar um jeito nelas. — Ele disse fingindo estar lutando com alguém. Eu dei risada e dei um beijo na bochecha dele me pendurando nele.
 — Obrigada, mas eu sei me cuidar. Pode deixar. — Falei saindo do vestiário. Me despedi da turma e todos falaram a mesma coisa "boa sorte". Peguei o ônibus ate a rua de trás da minha casa. Desci ate a casa da minha vó que é do lado da minha. Deixei algumas coisas por lá e fui pra escola. Ainda é cedo mas queria chegar antes. A primeira aula é de matemática. Deixei minha mochila na sala e fui até a lanchonete na frente da escola. Pedi um salgado e um suco. Depois que eu me sentei pra comer peguei o celular e mandei mensagem pro Rafa:
  "Cheguei."
  Ele visualizou e começou a escrever:
  "Na hora que chegar na sua casa me conta como foi."
  Eu dei risada e respondi:
  "Só amanhã, lamento."
 Guardei o celular e terminei de comer. Comprei chicletes e voltei pra frente da escola. Eu ia entrar direto mas chegou uma pessoa. Eu tinha uma queda por ele antes das minhas férias e acho que continuo tendo. E dessa vez ele me notou. Eu fiquei encarando ele ate me sentir uma idiota e olhar pro outro lado. Nenhuma das meninas chegaram. Geralmente a primeira a chegar é a Brenda. Depois a Clara, a Bianca e por ultimo eu. Mas hoje cheguei primeiro que muita gente. Senti que alguém estava me olhando. Joguei meu cabelo e vi que era ele. Virei e subi as escadas. Fui pro patio e decidi beber um pouco de água. Quando me coloquei reta de novo e vi ele do meu lado. Pela primeira vez eu consegui agir naturalmente. Sai de perto dele e fui pra minha sala. Fiquei ali na frente esperando minhas amigas chegarem pra ver se elas me reconheceriam. Estava conversando com o Rafa.
  "Minha escola é uma merda cara"
  "A minha também zzz"
  "Queria ir pra sua escola, deve ser menos rígido" Ele estuda numa escola particular.
  "Só você seria burro o suficiente de sair dai pra vir pra favela"
  "Você é uma favelada linda." Eu fiquei meio, talvez muito, sem fala dai vi as minhas amigas chegarem.
  "Elas chegaram rafa. Depois a gente se fala beijo." Mas continuei mexendo no celular. Elas passaram por mim e entraram na sala. Dai elas vieram falar comigo.
  — Oi, você é aluna nova? — A Brenda perguntou. Eu dei risada.
  — Não. Mas é como se fosse.
  — Não? Você é da nossa sala?
  — Sou.
  — Como é seu nome? — Estendi minha mão pra Brenda e falei:
  — Tori. Prazer? — Falei e elas me reconheceram porque me abraçaram e rindo.
  — Você ta muito mudada. — A Clara falou e eu concordei. Ficamos conversando ate ele passar na nossa frente e me olhar. — AAAAH TORI ARRASANDO. — Elas gritaram e eu passei a mão no rosto com vergonha. — Preciso fazer xixi. Vamos? — Ela perguntou e as meninas disseram que sim. Eu fiquei ali. Ai ele passou de novo e parou em mim.
  — Oi, eu sou Caio. Você é nova? — Eu fiquei olhando pra ele por uns dez segundos antes de responder.
  — Não é a primeira pessoa que me pergunta isso hoje. E sabe. Eu estudo aqui desde quando eu tinha sete anos. — Falei e ele ergueu as sobrancelhas.
  — Mas eu nunca te notei então... Qual seu nome?
  — Tori.
  — É praticamente impossível eu não ter te visto em julho antes das férias. — Ele falou
  — Eu não venho a escola desde março.
  — Vou querer saber porque?
  — Não temos toda essa intimidade. Outro dia quem sabe. — falei e ele riu.
  — Claro. Ahn, você é do primeiro?
  — É. Por acaso você tem aula com a professora de inglês?
  — É, por que?
  — Se eu fosse você correria, ela já chegou na sala. — Falei e ele ficou nervoso. Ai ele me deu um beijo rápido na bochecha.
  — A gente se fala no intervalo.