sexta-feira, 17 de abril de 2015

4º capitulo - O Beijo

O Beijo


  Ele estava falando comigo mas era como se meus ouvidos estivessem fechados pra tudo aquilo que ele esta dizendo e meu cérebro fica repetindo o que o Rafa disse. Ele gosta da pessoa gostosa que você se transformou. Dai ele colocou a mão na minha frente e eu acordei pra vida.
  — Em que mundo você esta?
  — Desculpa, não tô bem hoje. — Falei e ele assentiu e se levantou.
  — Vou te deixar sozinha um tempo pode ser?
  — Obrigada. — Falei e meu celular vibrou. Rafa facetime. As meninas sentaram do meu lado. — Atendam pra mim. Fala que eu fui no banheiro. — Deixei o celular na mão delas e fui no banheiro. Entrei e ajeitei meu cabelo. Sai e fui beber água.
                                                                     *Rafael*
No intervalo chamei a Tori no facetime. Ela atendeu mas não era ela. São as amigas.
  — Cadê ela? — Perguntei
  — Ela não quer papo contigo. — Uma delas disse.
  — Nomes? — Perguntei e elas falaram. — O.k. Bianca onde ela esta? — Ela virou a câmera e vi ela bebendo água. Ai um cara chegou perto dela e os dois ficaram bom, próximos de mais. — Esse é o Caio? — perguntei e elas falaram que sim. — Credo o cara paga de swag eca. — Falei e elas voltaram a câmera pra elas.
  — Deixa a Tori te ouvir.
  — Eu não tenho medo de falar isso perto dela. Vocês sabem porque ela não quer falar comigo?
  — Ela não disse.
  — Nada?
  — Nada.
  — Perguntem e insistam. De preferencia perto do playboy. Vamos ver como ela reage. — Eu falei e elas assentiram. — Espera, ele sabe quem eu sou?
  — Eu acho que não. Nem a gente sabe direito.
  — Hum. Bom, eu só liguei pra avisar que o chefão deu o dia de folga pra ela amanhã.
  — Só isso?
  — E que a gente precisa conversar sobre o que aconteceu hoje no vestiário. — Não vou mentir. Quero provocar o cara então vou fazer as meninas pressionarem a Tori em relação ao que aconteceu hoje no vestiário. Ela não sabe lidar com pressão. Antes que elas perguntassem desliguei.
                                                                 *Tori*
As meninas desligaram e chamaram nós dois lá. O que o Rafael disse meu deus. A gente foi.
  — O que aconteceu hoje no vestiário Tori. — Bianca perguntou e eu fiquei quieta.
  — Caio, deixa a gente sozinha um pouquinho? — Pedi e ele concordou depois me deu um beijo na bochecha.
 — Ele queria que eu falasse perto do Caio né. — Falei
 — O que rolou?
 — Ele não disse?
 — Quero ouvir da sua boca. — Bianca falou.
 — A gente se beijou pronto. Mas vocês não podem contar pra ninguém principalmente pro Caio meninas vocês tem que prometer! — falei meio desesperada. Elas prometeram. — O que mais ele disse?
  — Ele disse que o chefão deu o dia de amanhã de folga pra você. — Eu dei risada porque tipo folga? Sonho.
  Voltamos pra sala e quando finalmente tudo aquilo acabou eu sai e o Caio chegou me assustando.
  — Vou te levar embora. — Ele disse e colocou o braço em cima do meu ombro. Fomos até minha  casa em silêncio. Ele me deixou na porta de casa e ficou me olhando. — Vai trabalhar amanhã né?
  — Não. A gente podia correr amanhã.
  — Claro. Que horas?
  — Umas quatro horas. — Ele concordou.
  — Passo aqui te pegar. — Eu dei risada por dentro. Ele deu um beijo na minha bochecha e foi embora. Liguei pro Rafael.
  — Você esta bêbado? — Perguntei.
  — Nunca estive tão sóbrio.
  — Então o que deu em você pra fazer as meninas me perguntarem sobre oque rolou hoje no vestiário na frente do Caio? — ele deu risada.
  — E você disse?
  — Não. Seu plano falhou. Pedi pra ele sair de lá antes de falar.
  — Falando nele. Meu deus, que cara ridículo o que é aquela calça na coxa? — Ele falou e eu revirei os olhos.
  — Eu nunca te vi com roupa normal então quando eu te ver com roupa de gente vou ver se você tem moral pra falar dele. Até quarta. — Desliguei e fui me trocar.
                                                               *no outro dia*
Acordei quase onze horas e fui fazer lição, almoço pra mim e fiquei de bobeira até quatro horas. Já estava com calça de "ginastica" e regata. A campainha tocou e eu desci. o Caio esta com bermuda e regata. Até assim ele consegue ficar bonito.
  —Vamos? —  Ele perguntou e eu concordei. A gente correu cerca de uma hora e meia. Eu estava suada mas ainda correria mais meia hora sem problemas. O Caio esta morto e enterrado. Eu dei risada da cara dele respirando parecendo um pimentão vermelho. — Como você pode notar não estou acostumado a correr tanto assim. — Ele disse afobado.
  — Eu corro isso quase todos os dias na esteira. — Falei e ele ficou em pé.
  — Uau.
  — Vamos embora. — Falei e fomos devagar, andando e bebendo muita água. Ele estava contando sobre a vó dele e a mãe dele. Ele consegue fazer de tudo piada.
  — Hoje eu passo na sua casa pra gente ir pra escola juntos pode ser? — Ele perguntou
  — Claro. É melhor eu correr, se eu demorar mais dez minutos não consigo ficar pronta a tempo. Fui dar um beijo na bochecha dele mas quase foi na boca. Corri até minha casa e dei risada. Entrei no banho já eram seis horas. Tive que me arrumar rápido hoje. às seis e quarenta e cinco a campainha tocou. Eu desci e é o Caio. Fomos em direção a escola e começou a chover. Forte.
 — Vamos correr ? — Ele falou e eu dei risada mais concordei. Ele pegou minha mão forte e fomos correndo até a escola. Ai tinha um ponto de ônibus. Paramos ali pra respirar. eu estava super molhada. Ele me olhou e fez sinal positivo com a cabeça. — Só mais um pouco vamos. — Corremos até a portaria. a gente entrou dando risada e todo mundo olhou pra gente.
  — Conseguimos.
  — Conseguimos chegar aqui mas se o objetivo era chegar seco não deu certo. — Ele falou e a gente deu risada. Subimos pro pátio e as inspetoras vieram avisar que a primeira aula foi suspensa porque quase nenhum professor chegou por causa da chuva. Eu entrei no banheiro e prendi meu cabelo porque ele estava molhado e bagunçado. Sai dali e eu senti que estava gelada e morrendo de frio. O Caio esta parecendo um pintinho.
  — Ai que frio. — Falei e ele me abraçou
  — Minha blusa pra você. — Ele tirou a blusa da bolsa e me deu.
  — Não precisava.
  — Você esta tremendo e gelada. Precisa sim. — Coloquei a blusa dele e senti do cheiro dele invadir tudo. Era sufocante mas bom. Ai ele me abraçou de novo. Mas a mão dele foi descendo e eu parei.
  — Não sou uma santa mas não né Caio. — Eu falei e ele riu.
  — Eu também não sou santo Tori. — Ele falou colocando a mão no meu rosto e me beijou. Ai ele colocou as mãos na minha cintura me deixando muito colada nele. Ai a inspetora veio e deu uma tossida proposital e ele me largou.
  — Senhor Caio pra lá. — Ela apontou pro outro lado do patio e ele foi. Eu entrei no banheiro e pirei um pouco mas a imagem do Rafa veio na minha cabeça junto com a vontade de espirrar. Então sai do banheiro e vi ele com uns amigos. Mas ele estava recebendo dinheiro. De todos os amigos. O Fernando estava ali então fez sinal negativo com a cabeça e falou algo parecido com vocês são idiotas e saiu de perto deles. Eu corri até ele e ele respirou fundo.
  — O que era aquele dinheiro Fer? — Perguntei
  — Nada.
  — Fernando. Fala. — Mandei e ele suspirou.
  — Eles apostaram.
  — Em que?
  — Que o Caio ia te beijar antes do intervalo. Cada um deu dois reais pra ele. — O QUE? Por dentro eu estou fodida, querendo bater em todo mundo mas por fora estou deprimida. Arrasada. Ou ao contrário. Mas não vou chorar. Respirei fundo e fui até lá. Tirei a blusa de frio e joguei no chão nos pés dele.
  — Ai desculpa se sujar. Caso fique suja manda lavar com esse dinheiro ai. Depois manda ilustrar essa sua cara de pau. — Falei e ele ia começar a falar. Mas eu sai dali e entrei na sala. Fiquei la com a porta fechada e o Rafa me ligou.
  — É. Oi Tori. A gente não conversou o dia todo. — Ele falou e eu quieta. Se eu dissesse uma palavra eu ia chorar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário