sexta-feira, 17 de abril de 2015

1° capítulo - Depois das férias


  

Depois das férias

Era agosto, o clima estava gelado e eu estava nervosa. Era meu "primeiro" dia de aula depois de quatro meses dentro de casa. Estava no meu trabalho no shopping e estava dando o horário de me arrumar. Mas esqueci de um detalhe: parte do meu uniforme. A calça. Subi para o segundo piso do shopping e entrei na Marisa. Comprei uma calça jeans com o meu salário que tinha acabado de receber. Voltei pra academia e entrei no vestiário correndo.
  — Esta atrasada né? — Rafael perguntou enquanto eu entrava no vestiário e trancava a porta.
  — Vai se ferrar Rafael. — Falei lá de dentro e ouvi ele rir. Me despi e coloquei a calça, minha camisa de uniforme que esta larga perto de quatro meses atrás. Coloquei meu tênis e passei meu amado rímel. Destranquei a porta e o Rafael entrou.
  — Escolinha moderna, virou passarela de moda. — Ele falou lavando as mãos e o rosto.
  — Um: você esta bonita, Tori. já bastava. — Falei passando o batom. Ele ficou olhando e eu senti minha bochecha ficar vermelha.
  — Não quero te deixar convencida. — Ele falou passou por trás de mim indo pros chuveiros que são ali do lado.
  — Não é de minha linda natureza. — Ele riu e tirou a camiseta. Ia começar a tirar o short. — Rafa! Eu to aqui. — Falei guardando as coisas na mochila.
  — Então tem pouco tempo pra não me ver sem roupa. — Ele disse e eu ergui a sobrancelha. — Três, dois... — Ele não estava blefando. Sai dali e o Carlos,meu patrão e personal estava ali me esperando.
  — Vocês dois parecem cão e gato. — Ele disse com umas notas de dinheiro na mão.
  — No caso eu sou a gata e ele o cachorro. — Falei.
  — Eu ouvi! — Ele gritou e eu dei risada.
  — Olha, eu sei que você esta nervosa, foram quatro meses.
  — Tenho medo de ter perdido todas as minhas amizades, Carlos. De não conseguir dar conta das matérias e de todo o resto. — Falei e ele me abraçou. O Carlos virou, nesses dois meses, um tio barra melhor amigo.
  — Você é linda, legal, simpática, inteligente e esforçada. Vai conseguir. Eu vou te dar mais essa grana, porque eu sou seu amigo e quero te ajudar. — Ele me deu aquelas notas em suas mãos.
  — Não precisava.
  — Precisava. Ta frio lá fora. Coloca jaqueta. E boa sorte. — Ele falou e eu ia pegar minha jaqueta, mas ela está no meu armário no vestiário. Eu fui ate a porta e bati.
  — Rafa? Posso entrar?
  — Pode!
  — Você esta vestido?
  — Estou de toalha Tori entra. — Eu entrei e ele estava de toalha na parte de baixo. Não entendo porque eu olho pra ele desse jeito. — Que foi?
  — Vim pegar minha jaqueta. — Falei e fui ate o armário.
  — Eu sei que eu brinco com você e tal mas eu te conheço. Sei que você esta nervosa. Vai dar tudo certo. Você é incrível. — Ele falou e eu coloquei a jaqueta.
  — Obrigada, eu vou indo. Te mando mensagem quando chegar lá antes que comece a falar.
  — Venha aqui marrenta. — Ele me abraçou e ele tava molhado. Minha cabeça da no peito dele. — Boa sorte. Se suas amigas te tratarem mal vou lá dar um jeito nelas. — Ele disse fingindo estar lutando com alguém. Eu dei risada e dei um beijo na bochecha dele me pendurando nele.
 — Obrigada, mas eu sei me cuidar. Pode deixar. — Falei saindo do vestiário. Me despedi da turma e todos falaram a mesma coisa "boa sorte". Peguei o ônibus ate a rua de trás da minha casa. Desci ate a casa da minha vó que é do lado da minha. Deixei algumas coisas por lá e fui pra escola. Ainda é cedo mas queria chegar antes. A primeira aula é de matemática. Deixei minha mochila na sala e fui até a lanchonete na frente da escola. Pedi um salgado e um suco. Depois que eu me sentei pra comer peguei o celular e mandei mensagem pro Rafa:
  "Cheguei."
  Ele visualizou e começou a escrever:
  "Na hora que chegar na sua casa me conta como foi."
  Eu dei risada e respondi:
  "Só amanhã, lamento."
 Guardei o celular e terminei de comer. Comprei chicletes e voltei pra frente da escola. Eu ia entrar direto mas chegou uma pessoa. Eu tinha uma queda por ele antes das minhas férias e acho que continuo tendo. E dessa vez ele me notou. Eu fiquei encarando ele ate me sentir uma idiota e olhar pro outro lado. Nenhuma das meninas chegaram. Geralmente a primeira a chegar é a Brenda. Depois a Clara, a Bianca e por ultimo eu. Mas hoje cheguei primeiro que muita gente. Senti que alguém estava me olhando. Joguei meu cabelo e vi que era ele. Virei e subi as escadas. Fui pro patio e decidi beber um pouco de água. Quando me coloquei reta de novo e vi ele do meu lado. Pela primeira vez eu consegui agir naturalmente. Sai de perto dele e fui pra minha sala. Fiquei ali na frente esperando minhas amigas chegarem pra ver se elas me reconheceriam. Estava conversando com o Rafa.
  "Minha escola é uma merda cara"
  "A minha também zzz"
  "Queria ir pra sua escola, deve ser menos rígido" Ele estuda numa escola particular.
  "Só você seria burro o suficiente de sair dai pra vir pra favela"
  "Você é uma favelada linda." Eu fiquei meio, talvez muito, sem fala dai vi as minhas amigas chegarem.
  "Elas chegaram rafa. Depois a gente se fala beijo." Mas continuei mexendo no celular. Elas passaram por mim e entraram na sala. Dai elas vieram falar comigo.
  — Oi, você é aluna nova? — A Brenda perguntou. Eu dei risada.
  — Não. Mas é como se fosse.
  — Não? Você é da nossa sala?
  — Sou.
  — Como é seu nome? — Estendi minha mão pra Brenda e falei:
  — Tori. Prazer? — Falei e elas me reconheceram porque me abraçaram e rindo.
  — Você ta muito mudada. — A Clara falou e eu concordei. Ficamos conversando ate ele passar na nossa frente e me olhar. — AAAAH TORI ARRASANDO. — Elas gritaram e eu passei a mão no rosto com vergonha. — Preciso fazer xixi. Vamos? — Ela perguntou e as meninas disseram que sim. Eu fiquei ali. Ai ele passou de novo e parou em mim.
  — Oi, eu sou Caio. Você é nova? — Eu fiquei olhando pra ele por uns dez segundos antes de responder.
  — Não é a primeira pessoa que me pergunta isso hoje. E sabe. Eu estudo aqui desde quando eu tinha sete anos. — Falei e ele ergueu as sobrancelhas.
  — Mas eu nunca te notei então... Qual seu nome?
  — Tori.
  — É praticamente impossível eu não ter te visto em julho antes das férias. — Ele falou
  — Eu não venho a escola desde março.
  — Vou querer saber porque?
  — Não temos toda essa intimidade. Outro dia quem sabe. — falei e ele riu.
  — Claro. Ahn, você é do primeiro?
  — É. Por acaso você tem aula com a professora de inglês?
  — É, por que?
  — Se eu fosse você correria, ela já chegou na sala. — Falei e ele ficou nervoso. Ai ele me deu um beijo rápido na bochecha.
  — A gente se fala no intervalo.

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