sexta-feira, 17 de abril de 2015

5º capitulo - A Gripe

A Gripe

  — Rafa.. — Falei com voz de quem quer chorar.
  — O que foi?
  — Amanhã a gente — Espirrei — conversa. A professora chegou. — Desliguei e fiquei ali no escuro dai as meninas chegaram me procurando junto com o Fer.
  — Ai amiga. Eu sinto muito. — A Bianca falou me abraçando. — Ele é um idiota. — elas falaram juntas e o Rafa esta me ligando no facetime.
  — Fala com ele, e não digam o que aconteceu. Fala que eu to gripada só isso. — Eles conversaram e eu fiquei quieta ali atras pra ninguém notar. Passei todas as aulas fugindo do Caio. As meninas eram tipo cão de guarda. No fim das aulas eu sai correndo de lá e cheguei em casa acho que em cinco minutos. Entrei e fui direto pro meu quarto. Ai eu chorei enquanto espirrava. Meu nariz escorria e eu sentia dor no corpo. Chamei minha mãe depois de parar de chorar. — Mãe vê se eu estou com febre.   — Ela colocou a mão na minha testa e no meu pescoço. Estou com febre. Ela me deu uns antibióticos e acho que estarei bem até amanhã.
  De manhã acordei péssima. Dor no corpo e até dor de cabeça. Mas mesmo assim fui me arrumar. Meu tio me levou até o terminal e eu peguei o ônibus pro shopping. Cheguei lá e entrei. Era a primeira a chegar depois da Bia. Coloquei minhas coisas no armário e peguei minha caixinha de lenços. Fui pro balcão e fiquei debruçada um tempo. Dai fui pra esteira e comecei devagar quase andando. Parei a esteira e fiquei olhando pra frente esperando o espirro vir. Ele veio e eu tive que sentar, não aguentava mais ficar em pé. Ouvi a porta da academia abrir e a voz do Carlos e do Rafa. Fiquei imóvel quase dormindo de novo.
  — Qual é Tori. Meu pai te deu uma folga pra você descansar. — Rafa brincou e eu levantei minha cabeça. Ele me viu com olheiras, olhos vermelhos nariz vermelho. — Tudo bem?
  — Não. Eu to gribada.
  — Pensei que estava só me dando um fora ontem.
  — Também. — Falei estendendo a mão pra ele me ajudar. Levantei e abracei ele. Ai eu comecei a chorar.
  — O que foi? Sei que esta com saudades mas não é pra tanto. — Ele viu que eu não ri então me apertou e me levou pro vestiário. Eu me sentei e ele do meu lado. — O que aconteceu?
  — Ontem eu e o Caio nos beijamos. — Falei e ele assentiu meio sem palavras.
  — Só isso?
  — Era uma aposta. — Eu falei e ele ficou de boca aberta pensando que eu estava brincando.
  — Me fala que não é sério Tori.
  — É sério. — Falei e ele me abraçou.
                                                             ❆ Rafael 
  Eu senti tanta raiva dentro de mim aquela hora que não consegui deixar ela chorando ali sem fazer alguma coisa pra animar ela.
  — Agora me diz. Eu beijo bem melhor né? — Falei enquanto abraçava ela de lado bem forte.
  — Idiota.
  — Vou considerar isso como um sim.
  — O que esta acontecendo? — Meu pai entrou no vestiário e viu ela chorando me abraçando.
  — Pai, eu sei que você deu folga pra ela ontem mas ela ta gripada. E deprimida. — Eu falei
  — Vamos, eu te levo pra sua casa e no caminho compro um antibiótico.
  — Vamos. — Falei levantando com ela.
  — Tori vai pro carro ta, a gente se encontra lá. — Ele disse e ela foi.
  — O que foi pai? Deixa eu ir. — falei
  — Não. Dá um tempinho sozinha pra ela Rafa. De tarde eu te levo lá. — Ele disse e eu concordei. Fui pros fundos e de novo soquei o saco de areia até a alma dele sangrar.
                                                       ❆ Tori 
O Carlos me levou embora depois de comprar remédio, ai ele me ajudou a ir pro quarto e me deu remédio.
  — Você fica sozinha em casa o dia todo?
  — Fico sozinha o tempo inteiro. Menos de noite. — Falei de olho fechado.
  — Quer que eu fique aqui até você dormir?
  — Porque se importa tanto comigo?
  — Enxergo em você a filha que eu nunca tive. — Ele disse e eu comecei a dormir.
  Depois de um tempo eu acordei com alguém sentando do meu lado na cama.
  — O que você esta fazendo aqui Caio? — Falei me sentando rápido.
  — A gente precisa conversar.
  — Não temos nada pra conversar. A gente não é pra dar certo mesmo. Não temos nada ver.
  — Temos sim. Aquela aposta de ontem foi coisa dos meninos. Eu não queria. — Ele falou
  — Mas aceitou!
  — Aceitei! Mas foram só dois reais de cada. Não foi nada de mais.
  — Então meu beijo vale só dez reais? — Perguntei querendo chorar de novo.
  — Melhor dez do que dois. — Ele falou e eu levantei e abri a porta do meu quarto.
  — Sai! — Mandei e ele parado.
  — Caio... — Olhei pra trás e vi a imagem do Rafa.
  — Rafa, tudo bem. — Falei. Pela primeira vez vi o Rafa arrumado. Com roupa de menino sem ser roupa de academia. Ele passou por mim pegando o Caio pela camiseta. Ele sentiu que eu tava nervosa então arrastou ele ate o lado de fora do quarto. Ai veio ate mim 
— Fica no quarto. Eu já volto. — Ele me olhou nos olhos e eu tive que concordar. Me sentei na cama chorando e com raiva de tudo. Mas tive que sair pra ver oque estava acontecendo.
  O Rafa estava segurando o Caio contra a parede. 
— Olha aqui cara, eu daria mil reais ate mais pra estar com ela e você ainda acha que ela vale dez reais? — Foi uma pergunta retorica — Eu juro que não quero te machucar. Mas tudo dentro de mim me faz querer te bater por fazer ela chorar. Agora corre o mais rápido que você puder. — O Rafa soltou ele e o Caio saiu correndo. Eu cheguei perto do Rafa me escorando na parede. Ai eu cai no Rafa. Desmaiei. sei lá.
                                                  ❁ umas horas depois
Acordei com o Rafa do meu lado. Ele saiu da cama e sentou na poltrona ao lado.
  — Que horas são? — Perguntei.
  — Já esta escuro. — Ele falou me olhando. — Sete horas. Pra ser mais específico. — Ele falou e eu concordei com a cabeça.
  — Você perdeu a escola.
  — Não perdi não, ela ta lá paradinha no lugar dela. Eu só não fui ate lá. — Eu dei risada.
  — Idiota.
  — Se eu ganhasse um real a cada vez que você me chama de idiota eu tava rico.  
  — Se eu ganhasse mil reais a cada Rafael que queira me beijar eu teria... — Pensei.
  — Muito. — Ele disse e respirou fundo.— Acho que você não viu. Mas eu te trouxe flores, chocolate, um ursinho e minha pessoa linda. — Ele disse e eu me virei pra ver. Peguei os chocolates.
  — Ai meu deus. — Falei quando abri. Faz tempo que eu não como isso. 
  — Não era pra você ter visto minha discussão com o carinha. 
  — Era sim.
  — Eu fiquei quanto tempo desmaiada?
  — Minutos, dai você acordou e dormiu por duas horas e meia mais ou menos.
  — Acho que eu passei o dia dormindo. — Falei e comi um chocolate — Eu vou ter espinhas mas não to nem ai.
  — Chega, toma remédio e vai tomar um banho. — Ele pegou meu chocolate e me deu os remédios. Fui pro banheiro com meu pijama e tomei meu banho.me sinto melhor agora. Eu coloquei o pijama e antes ele não parecia tao curto. Voltei pro quarto e ele estava falando no celular.
  — Ah pai ela tá... — Aí ele me viu e parou.
  — Fala rafa.
  — Bem bem, ela ta ótima. — Ele falou com enfase no ótima olhando pra mim. — Pai bom trabalho porque olha.
  — Deixa de ser besta. — Falei dando uns tapas nele.
  — Tenho que desligar ta pai tchau. — Ele desligou e voltou a sentar.

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